terça-feira, 3 de agosto de 2010

10.11.2009 - Tv Cidade lá em casa.



Recebi, na tarde dessa terça-feira, 10, em casa, uma equipe da Tv Cidade de Fortaleza.
O Henrique, editor de esporte desse canal, me ligou no início da tarde e, menos de uma hora depois, lá estavam, no portão do prédio em que resido, os três profissionais da emissora.
Na verdade, eu nem sabia qual seria o ‘link’ da matéria. Não me fôra adiantado. Tão pouco, cumpria-me questionar sobre.
Importa que tudo correu bem. Imagens de parte das premiações já conquistadas, guardadas em um local especial. Um bate papo na sala. E mais imagens nas ruas do bairro de Fátima, onde, desde 2002, vivo.
Bom... Isso não vem ao caso, para aquilo a que quero me reportar.
Chamou-me a atenção uma pergunta da repórter: “você gosta de morar no Ceará?”
Eu, categoricamente, procurei colocar-lhe o ‘drama’, a incerteza, a angústia e os conflitos interiores, nos quais, tenho andado imerso cotidianamente, a fim de fazer-lhe um ‘pano de fundo’ sincero e honesto para a minha resposta, que, a rigor, poderia até ser traduzida em outra(s) pergunta(s)! 
“ Como gostar de um Estado, cuja secretaria de esporte - desde que, em 2003, passou a existir no Ceará, independentemente da gestão -, nunca investiu em mim sequer meio centavo?” “ Como gostar de um Estado que, desde 2003, já teve quatro dirigentes desportivos distintos, não tendo sido capazes nenhum dos quatro de investir na minha pessoa, enquanto ultramaratonista, sequer meio centavo?” “Como gostar de um Estado, cujo atual secretário de esporte, disse, na minha cara, sem dó nem piedade, na maior, que, uma vez que o Estado me remunere para desempenhar a função docente, em eu viajando para competir (o que acontece ordinariamente), ele, o Estado, como bom patrão, deveria cortar o meu ponto, fazendo-me assumir o ônus pelos dias eventualmente não trabalhados?” 
“Como gostar de um Estado, cujas autoridades desportivas estaduais teimam em fazer vista grossa a tudo que venho desempenhando nas ultramaratonas efetivadas?” “Como gostar de um Estado que, independentemente de me apoiar ou não enquanto ultramaratonista, faz uso do compadrio a fim de beneficiar atletas que porventura sejam ‘amigos do rei’, fingindo desconhecer os mínimos critérios de performance desportiva norteadores de uma eventual escolha? 
“Como gostar de um Estado que me obriga a vestir a camisa do compadrio (logo eu que, até aqui, sobrevivi sem sujar as minhas mãos, mantendo-me sem qualquer modalidade de ‘rabo preso’!) caso eu queira ser atendido por alguma ação desportiva financeira?”
É bem verdade que toda essa ‘energia ruim’ não pode apagar e jamais conseguirá ofuscar a beleza de uma gente que nasce fazendo humor, sofre numa educação pública cujos professores estaduais têm o quarto pior salário do País e se mantem, ainda assim, eternamente, de bem com a vida.
Ademais... “Como esquecer que o Ceará me deu esposa e filhos maravilhosos?” – eis uma outra indagação que também poderia servir de resposta ao questionamento da colega da Tv Cidade.
É do conhecimento de todos – nunca escondi, nem precisaria – que o casamento com uma cearense foi o que me fez trocar o RJ pelo CE. Não havia a me mover àquela época – e, ainda hoje, não há – nenhuma perspectiva em meu horizonte educacional ou desportivo.
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