quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Muro e neutralidade.


Saiu na revista Carta Capital, e o ultramaratonista Fernando Pangaré, ser político que é - um ex-militante do movimento político carioca chamado 'Brizolândia', advindo da vitória, em 1982, de Leonel Brizola no sufrágio eleitoral para o governo de estado e que tinha, como 'QG', a Cinelândia, no centro do Rio -, não poderia abrir mão da responsabilidade histórica de, o mais sensatamente possível, manifestar-se.




Se Marina Silva e o Partido Verde decidirem apoiar um dos dois candidatos no segundo turno, estarão decretando o funeral do “projeto” que dizem sustentar. Se a negociação envolver o acerto prévio de cargos, o funeral será solene.

Ao que tudo indica, Marina tem consciência disso. Em coletiva de imprensa nesta quarta-feira 6 ela se mostrou surpresa diante dos jornalistas. Eles repercutiam informação que corria pelos bastidores dando conta que o PSDB estaria disposto a oferecer 4 ministérios pelo apoio dos verdes – Meio Ambiente, Educação, Minas e Energia e Cidades. “Caramba, 4 ministérios? Do jeito que tem gente aí, basta pensar num conselho de estatal, já estaria muito bom”, ela disse, ao reafirmar que negociar cargos conflitava com seu projeto.

A decisão será tomada na convenção nacional do PV marcada para dia 17, com a presença de 90 delegados. Antes, uma plataforma de dez pontos será levada para as campanhas de Dilma e Serra, para que se posicionem diante dela. Ao mesmo tempo, Marina ouvirá seus comitês de campanha e o que ela chama de “forças vivas da sociedade” que a apoiaram.

Caso a decisão tivesse ficado restrita à direção nacional do PV, o apoio a José Serra já teria sido oficializado. Marina e seu grupo mais próximo, porém, entendem que o melhor caminho é o do que eles chamaram de “não participação”. Consiste em apresentar a referida plataforma de pontos para os dois candidatos e esperar que ambos assumam publicamente a adoção de parte dela. Feito isso, missão cumprida, teriam conseguido mudar a pauta de PT e PSDB.

Passadas as eleições, organizados dentro do PV e no Instituto de Desenvolvimento Sustentável, o IDS, consolidariam a proposta de “terceira via”, se preparariam para as eleições de 2012 e 2014.

Guilherme Leal, braço direito de Marina e seu candidato à vice, entrou em férias, mas antes afirmou aquela que deve também ser a posição de Marina. “Eu acho isso (subir no palanque de Serra ou Dilma) absolutamente pouco provável. Isso não faz parte dos meus planos, em absoluto”. Disse mais: “a candidatura de Marina Silva nasceu como uma preocupação com um projeto de País, e não de poder”.

Os dias que restam agora até a convenção serão usados para tentar convencer os dirigentes do PV que este é o melhor caminho. Apoiar abertamente um candidato é, segundo este ponto de vista colocar de novo em julgamento os 20 milhões de votos conseguidos no primeiro turno.

Se o candidato apoiado por Marina e o PV ganhar, eles seriam absorvidos pelo vencedor. Deixariam de ser “terceira via” para se converter em linha auxiliar da primeira ou da segunda via (como já ocorre nos governos em que o PV tem alguns cargos).

E se o candidato apoiado perder, estariam derrotados e humilhados, pois a derrota significaria que a maioria dos seus eleitores não o teria seguido no segundo turno. Uma catástrofe.

Para complicar, já deu para perceber que o “plebiscito” evitado pelos verdes no primeiro turno, não o será agora. Escolher um lado significaria dizer que PT e PSDB têm diferença entre eles e cairia por terra todo o discurso que deu base para a campanha de Marina.

Serão mais 10 dias de debates entre os verdes, 10 dias para Marina e seu grupo prevalecerem sobre os demais. Unanimidade será impossível. Foi por isso que ao decidirem pela realização da convenção os dirigentes do PV já disseram que serão permitidas as manifestações diferentes de cada indivíduo.

Mas no frigir dos ovos, todos sabem, principalmente Dilma e Serra, que o que importa não é a posição do PV, mas a de Marina. Sábio será o partido se não se descolar dela.

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" Colegas desportistas, particularmente, eu encaro a tomada de atitude em relação a uma eventual neutralidade como algo bem mais negativo e condenável que uma atitude de assunção de um posicionamento político fincado mais à direita, rumo ao PSerraDB
Neutralidade traduz-se em tibieza e covardia, substantivos abstratos aos quais qualquer político com desejo de vida política longa e êxito eleitoral não desejaria jamais ver-se ligado.  
Neutralidade retrata um coração temeroso de se assumir enquanto direita ou esquerda, enquanto favorável a uma eventual volta ao passado ou a mais quatro anos incrementando um projeto social hoje aprovado por 80% dos brasileiros. 
Sra. Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima, a palavra é sua. "

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