domingo, 17 de outubro de 2010

Pangaré encara mais uma maratona, em Caucaia/CE.

O ultramaratonista Fernando Pangaré, na tarde de ontem, concluiu sua 28a. maratona.
Ele - que estreiou nessa prova em 1985, quando estava na Marinha, no Rio de Janeiro, fazendo 3:33:34, e que, apenas uma vez, em 1989, no Mato Grosso do Sul, deixou de completar a prova - cravou 3:38:49 na Maratona do Sol Poente, vencida por José Pereira da Silva, nacionalmente conhecido apenas como P. Silva, que marcou 2:26:30, uma excepcional marca em se tratando de uma prova em que estavam presentes apenas dois atletas de elite da maratona nacional (o outro, Wandson Sousa do Nascimento que havia vencido a duríssima Maratona de Teresina, em agosto, com 2:32:37, lamentavelmente quebrou e fez 2:47:37).
A dificuldade da prova esteve relacionada não à questão geográfica, já que o percurso foi quase totalmente plano. O maior obstáculo em Caucaia - e Pangaré já havia achamado a atenção para isso - se deu tanto em relação ao horário da largada, inicialmente prevista para às 16 hs e que sofreu atraso de vinte minutos, quanto em relação à baixa demografia do percurso.
" Maratonas lotorâneas vespestinas em locais pouco habitados sempre trazem em si alguns embaraços para o corredor, relacionados, inicialmente, ao pequeno (ou nenhum, o que se deu, em Caucaia, em 80% do percurso) apoio popular. Considere-se a hipotermia (elevada perda de calor causada pela intensidade do vento aliada às eventuais redução dos níveis de glicose no sangue  após dois terços de prova e desidratação, característicos das atividades físicas de longa duração). Eu vivi essa experiência lá no Rio, quando da minha estréia, em 85, na maratona. Lembro que, por volta do km 28, eu tive uma hipoglicemia das brabas, que veio acompanhada de frio. Um estreiante em maratona, sem um treinamento adequado, no início da noite, alí pelo Leblon... Foi terrível. Procurei até alguma comida no chão e cheguei a comprar alguma coisa no caminho. Não se esquecer de que, em Caucaia, a grande maioria dos competidores fazia a sua estréia nos 42.195 ms, o que, por si só, se não é uma garantia, pelo menos, um forte indicativo é de uma considerável possibilidade de problemas relacionados à performance " - lembrou o carioca, do alto dos seus mais de trinta anos de estrada.
Clique aqui e veja os resultados da Maratona do Sol Poente, que foi parte do aniversário de 251 anos da cidade de Caucaia (15/10/1759).
Alguns elementos - sugere-se - poderiam ser mais bem trabalhados em relação à segunda edição da prova:
  • Respeito ao número de postos previstos para isotônico: chegou a faltar a bebida e os competidores mais lentos não tiveram acesso a ela nem nos postos em que fôra dada, caso de um colega de Cascavel/CE, que levou quase seis horas para concluir a jornada;
  • Respeito ao número de postos de fornecimento de alimentos sólidos. Seriam dois, nos kms 24 e 33. Não houve um sequer. A hipoglicemia agradece.  
  • Aumento no número de postos de fornecimento de alimentos sólidos, algo, em tese, hilário, à medida que nem aos dois postos incialmente previstos a organização do evento conseguiu ser fiel.
  • Um cuidado maior quanto aos staffs, muitos dos quais, no percurso, visivelmente despreparados para dar informações aos atletas, sem contar o fato de que, nas esquinas mais remotas, alguns aproveitaram para sentar e dar uma cochilada, afinal, de ferro ninguém é. Não esquecer que, dentro de uma competição, o staff faz o elo de ligação entre a organização e o corredor, o que obrigaria teoricamente as organizações de provas de rua a dar uma especial atenção a esse aspecto.
No mais, tudo perfeito: belíssima estrutura de largada/chegada: (alimentação, sonorização, apoio, alimentação, atendimento médico, banheiros químicos e limpeza.
Destaque para as arquibancadas montadas na largada, que poderiam vir a servir de dica para outras eventuais organizações de provas de rua. Dá-se conforto ao morador ou familiar que vem prestigiar o maior espetáculo democrático de cidadania aeróbica de que se tem notícia: a maratona.
O próximo evento de 'Panga' previsto ainda não está. Pode ser que venha a estar em Recife, em 15/11, em mais uma maratona.
A todos os cearenses que concluiram os 42.195 ms, as congratulações do primeiro corredor de rua a dar a volta em Fortaleza correndo (recorde ainda não homologada pela federação local de atletismo) e medalha de bronze no Campeonato Sul-americano Master de 100 Kms em 2009 na Colômbia.
E UM ESPECIAL ABRAÇO A PEDRO FERREIRA DE LEMOS, o Pedro 'Cascavel', pela impecável estréia na Magna Distância com um segundo lugar! Conseguiu acompanhar o irretocável P. Silva até o km 32! 2:30:12, para um debutante, é tempo para treinador nenhum botar defeito!

* Agradecimentos à Prefeitura de Cascavel, pela carona dada a Pangaré no veículo que transportava seus atletas à competição.
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