terça-feira, 5 de outubro de 2010

Sra. Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima, a hora é agora.

Marina, a mãe do segundo turno.

Saiu na revista Carta Capital, e o ultramaratonista Fernando Pangaré, ser político que é - um ex-militante do movimento político carioca chamado 'Brizolândia', advindo da vitória, em 1982, de Leonel Brizola no sufrágio eleitoral para o governo de estado e que tinha, como 'QG', a Cinelândia, no centro do Rio -, não poderia abrir mão da responsabilidade histórica de, o mais sensatamente possível, manifestar-se.

 

E agora, Marina?

O Escrevinhador
5 de outubro de 2010 às 10:50h 
por Mair Pena Neto

Nas primeiras eleições presidenciais pós-ditadura, em 1989, quando perdeu para Lula o direito de disputar o segundo turno contra Collor, Brizola, apesar do enfrentamento direto que teve com o petista na primeira fase do processo, não hesitou sobre que lado tomar. Foi quando cunhou a frase de que seria fascinante fazer a elite engolir o “sapo barbudo” e apoiou Lula, transferindo alguns dos milhões de votos que teve no primeiro turno.
Em um momento crucial para o país, que elegia seu primeiro presidente após 25 anos de ditadura, não havia meio termo. Ou se estava ao lado da candidatura das forças populares, naquele segundo turno, representadas por Lula, ou se estava com as elites e o “filhote da ditadura”, como Brizola, em mais uma de suas históricas tiradas, classificou Fernando Collor. Em toda a sua trajetória política, Brizola jamais teve dúvidas ideológicas. Principalmente, no momento das grandes decisões para a vida do país.
Agora, o Brasil volta a viver uma situação de encruzilhada. O segundo turno das eleições presidenciais terá o caráter plebiscitário que Lula quis apresentar desde o início. O que estará em jogo são dois projetos antagônicos. Um, representado por Dilma Rousseff, baseado no fortalecimento do Estado e na sua capacidade de promover o crescimento com redução das desigualdades. O outro, personificado por José Serra, pró-mercado, privatista, que entende o Estado apenas como gerente e não vê sentido em programas sociais de grande alcance, como o Bolsa Família.
Novamente, não há meio termo ou terceira via. Ou é um ou é outro. É nesta hora que se pergunta se Marina Silva, responsável por levar a eleição ao segundo turno, terá a grandeza de Brizola, se irá se aproximar da direita, ou, pior ainda, se amiudará politicamente e tomará a posição conveniente e covarde da neutralidade.
Marina também está numa encruzilhada. Sua votação acima do esperado e não captada em sua verdadeira dimensão por nenhum instituto de pesquisa a alçou a um novo patamar político. E nesta nova condição, ela precisa tomar partido na completa acepção do termo.
A partir de sua decisão tomaremos conhecimento de quem é a Marina que sai dessas eleições. Se a seringueira forjada pela luta de Chico Mendes, a ex-militante histórica do PT e ex-ministra do governo Lula, que sempre participou das lutas populares ao lado das forças da esquerda, ou uma evangélica conservadora, apoiada num confuso discurso ambientalista, com mais aceitação no empresariado do que na população.
Marina, não há dúvidas, foi a maior beneficiária da sucessão de “escândalos” midiáticos e da exploração eleitoral nas últimas semanas de campanha da fé das pessoas, através da disseminação em púlpitos e pela internet de temores envolvendo aborto e união de homossexuais, onda que aproveitou sem maiores questionamentos.
Com o segundo turno, tem a oportunidade de mostrar que é bem mais do que isso e se posicionar no espectro político que sempre defendeu, comprometido com um Brasil socialmente mais justo. A neutralidade nesse momento é uma não tomada de posição e será entendida como preocupação exclusiva com um projeto político pessoal, em detrimento do que é melhor para o povo brasileiro.

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" Posso comungar das palavras e opinião do autor da presente demanda - e, com isso, é claro, apoiá-la e aprová-la -, visto que, na época das primeiras eleições presidenciais pós-Ditadura 64/85, eu ainda vivia no Rio de Janeiro, militando no PDT, como estudante de Pedagogia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Morava eu em Ramos e estudava na Praia Vermelha.
Recordo-me perfeitamente de que a animosidade gerada no decorrer do primeiro turno daquele sufrágio levou grande parte dos colegas pedetistas a um discurso de radicalização ancorado em uma eventual anulação do voto no segundo turno.
Na Brizolândia, ante o cântico petista que dizia “ Olê, olê, olê, olá, LULÁÁÁ, LULÁÁÁ ”, a rapaziada usualmente reunida nas cercanias da escadaria da Câmara Municipal, ao lado do Amarelinho, retribuía com um “ Olê, olê, olê, olá, VOU ANULÁ ”.
Brizola, homem público único nesse País, do alto de sua sensibilidade histórica e coerência programática, reuniu o PDT para confirmar o que o bom senso daquele momento político indicava: dalí por adiante, era com Lula que caminharíamos, a fim de vencer o Collor, o então preferidinho de grande parte dos meios de comunicação, tal qual hoje ocorre com a Marina Silva, eleita, no presente sufrágio, a candidata a ser insuflada.
É plausível que, na senadora acreana, esperemos ver, no presente momento histórico, reprisado, o civismo de um homem como Leonel Brizola?
Ainda que a candidata verde não autorizada pelas urnas a seguir lutando pelo sonho da presidência da república não possua eventualmente o lastro histórico, a visão de sociedade, a flexibilidade democrática e o traquejo argumentativo do gaúcho, eu quero crer que ela pode sim (se vai ou não, são outros quinhentos...) quedar do lado dos quase 50 milhões de brasileiros que, nas urnas do domingo passado, sinalizaram pela permanência do modelo de Nação que, a partir de 2003, temos experimentado.
É muro? É Serra? É estar ao lado de quase metade do eleitorado nacional?
Alguém se arriscaria num pitaco?
É bom que não nos olvidemos de que serra não rima com o verde ambientalista da líder seringueira de 52 anos.
Que a senadora não serre a nossa esperança de continuar construindo um Brasil no qual foi parto complicado a esperança vencer o medo (e ela perfilou nas fileiras dessa tal esperança).
Se, em 89, cantava-se: “ Olê, olê, olê, olá, LULÁÁÁ, LULÁÁÁ ”, agora, ao contrário, devemos entoar “ Olê, olê, olê, olá, DILMÁÁÁ, DILMÁÁÁ ”. Era o que Brizola, certamente, se vivo estivesse, faria.
Sra. Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima, a hora é agora. Sua chance de entrar para a história como um projeto em processo de liderança nacional que, só aos dezesseis anos, conheceu as primeiras letras, ao qual quase vinte milhões de votos hoje estão ancorados, uma mulher batalhadora e vencedora, que, no momento em que seu País dela necessitou, não titubeou e manteve a coerência do seu pensamento político, concernente com mais de trinta anos de luta, está ao seu lado. Agarre-a ".
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