quarta-feira, 2 de março de 2011

Coração de ultramaratonista simula enfarto.

Diretora médica do Instituto de Cardiologia do Distrito Federal (ICDF) e corredora, Núbia Vieira está realizando uma pesquisa cujo objetivo é acompanhar o comportamento do coração dos atletas em provas de longas distâncias.
“As primeiras alterações sérias aparecem a partir de 50 quilômetros de prova”, diz.
São três os marcadores cardíacos analisados no estudo. O CPK indica morte ou sofrimento muscular. A CK-MB indica morte ou sofrimento muscular cardíaco. Por fim, a BNP indica disfunção do músculo do coração. Após uma ultramaratona os valores normais desses marcadores podem ficar entre 3 e 50 vezes maiores.
“Se o resultado do exame de sangue de um ultramaratonista for analisado por um cardiologista que não saiba que o paciente participou de uma prova de longa distância, o médico diagnosticará infarto agudo no miocárdio, com indicação de internação em UTI e intervenção com drogas para estabilização do quadro”, explica Núbia.
Mesmo assim a especialista não condena as provas de endurance. “Não é de uma hora para outra que você faz uma ultramaratona. Por isso, geralmente esses atletas estão bem preparados para essas atividades –  o que pode não acontecer em provas menores, quando as pessoas tendem a desprezar cuidados básicos por considerarem fácil”, diz a diretora médica do ICDF.
Após receber os resultados dos exames de sangue do médico João Gabbardo, que correu os 217 quilômetros da ultramaratona BR 135, ela se deparou também com uma informação importante: “Apesar de ser uma prova longa, a velocidade do atleta é menor. E com o coração batendo em uma frequência cardíaca menor, tem sobrecarga menor e menos sofrimento”.
A cardiologista diz ainda que nas maratonas, meia maratonas e provas menores o atleta costuma entrar em um clima de empolgação e imprime mais velocidade, geralmente maior do que está acostumado. “Sendo assim, sem preparo físico adequado, mesmo uma prova de 10 quilômetros pode ser fatal ao coração. A velocidade parece ser um pouco pior ao órgão do que a resistência”.
O estudo do ICDF continua em andamento, buscando entender que tipos de treinamentos e corridas seriam mais benéficos ao coração.
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