quarta-feira, 2 de março de 2011

Ultramaratona causa alucinação.

Desidratação, hipoglicemia, hiponatremia, hipotermia são as ocorrências mais comuns em uma prova de longa distância

Yara Achôa, da Serra da Mantiqueira, especial para o iG.

Alexei Caio, diabético, apresentou hiponatremia e procurou a equipe médica: fim de prova
São nas 12 horas ou nos 50 quilômetros iniciais que ocorrem as primeiras desistências em uma prova longa como a BR 135, segundo o diretor da Ultramaratona BR135,Mário Lacerda.
E foi o que a reportagem constatou acompanhando os 217 quilômetros da competição. No final da tarde do primeiro dia, com cerca de 10 horas e quase 70 quilômetros de prova, na praça central da cidade de Andradas, aconteceu uma das primeiras baixas. O engenheiro Alexei Caio, de 36 anos, de São Paulo, diabético, apresentou sintomas de hiponatremia (fraqueza, náuseas, desorientação) e procurou a equipe médica. “Errei na ingestão de líquidos”, admitiu.
Mesmo abandonando a prova, Caio não perdeu o humor, brincando com a equipe na hora do atendimento. Tomou soro e foi liberado. Dias depois estava embarcando em uma expedição para uma escalada no Aconcágua.
Mais adiante, foi a vez do engenheiro Rodrigo Damasceno, de 27 anos, do Rio de Janeiro. “Tive que parar no quilômetro 90, com 24 horas de prova. A musculatura respondia bem, a hidratação estava perfeita, o descanso ocorreu dentro do previsto, mas os pés... Algo deu errado. Senti mal-estar, não estava conseguindo correr (ou andar) mais de dois quilômetros sem ficar exausto e achei melhor desistir. Não me arrependo. Fui até onde dava”, contou.
Nem o veterano Adão Miranda da Silva, que liderava a BR135 até Ouro Fino (MG), escapou. Teve de parar devido a uma forte desidratação. Foi preciso inclusive internação no hospital da cidade. O caso inusitado aconteceu com o atleta Mario Casilew: mordido por um cachorro, ele foi obrigado a procurar atendimento no posto médico da cidade mais próxima. Com o ferimento limpo e medicado, Casilew continuou sua jornada.
Apareceram casos de desidratação, hipoglicemia, hiponatremia, hipotermia e muitos atendimentos de bolhas nos pés. Damos suporte, fazendo reidratação, analgesia e, quando necessário, encaminhando para internação hospitalar”, revelou uma das médicas da equipe,
Uma prova que conta com temperaturas elevadíssimas durante o dia e a solidão da noite escura também leva a casos de visões e alucinações. Os corredores se divertem contando o que viram pelo caminho.
Um deles confundiu vagalumes com velas de uma procissão e insistia em seguir o cortejo. Outro jurou ter visto uma mulher nua correndo pelos campos, apenas com um sapato branco nos pés. Um duende ou uma outra entidade qualquer da mata assustou a corredora Maria Ritah Fernandes:
Juro que eu vi. Estava sozinha e até voltei um pouco para ficar junto a outros corredores que vinham mais para trás”.
Os atletas que conseguiram lidar com as escoriações nos pés durante a prova, correram para pedir ajuda médica no final. As bolhas – inchadas e algumas até purulentas – eram limpas e cuidadosamente drenadas.
Postar um comentário

PANGA's SEND!